ESCOLHA DE MUDAS PARA BONSAI - Algumas orientações

1) Mudas de viveiro - mudas brutas

Alguns aspectos deverão ser levados em consideração ao se escolher uma muda bruta de viveiro para se iniciar a preparação para um bonsai.

A princípio deveremos ter em mente o tamanho final desejado, pois se queremos um bonsai Mame (até 15cm), por exemplo, a disposição dos primeiros galhos é fundamental, pois devem ser baixos, além do estilo pretendido. Outro fato a se considerar é se a planta se adapta ao clima em que vai ser cultivada.

Dentre as características mais importantes, posso citar:

a) Nebari: que é a disposição das raízes que ficam acima da terra. Estas devem ser radiais e bem distribuídas. Este aspecto, para bonsai pequenos (de 15 a 38cm), tamanho médio (de 38 a 76cm) e grandes (de 76 a 120cm), é a mais importante, pois junto com o tronco são as que demandam mais tempo para serem conseguidas. Assim sendo, devemos sempre observar este aspecto, e inclusive se necessário cavar um pouco a terra, na base do tronco, pois nem sempre o Nebari está visível. Em alguns casos, somos surpreendidos por raízes extremamente atraentes, para se criar um estilo de raízes expostas (NE-AGARI)

b) Tronco: é outra característica que confere grande valor a um bonsai. Um tronco bem grosso nos dá a idéia de um bonsai velho. Devemos também nesse momento ter em mente o estilo desejado, pois existem estilos onde o tronco é reto, como o CHOCAN, por exemplo e outros com troncos sinuosos, como o MOYOGUI, por exemplo.

c) Galhos: essa característica, não é menos importante do que as anteriores, entretanto é a que temos uma influência mais direta, pois seu desenvolvimento depende basicamente de podas, aramação e em alguns casos pode-se até enxertar galhos em locais definidos, para melhor compor o estilo escolhido. Como regra básica o 1º galho deverá estar situado a 1/3 da altura total da árvore, o 2º galho no lado oposto ao 1º galho a 1/3 da altura restante (desconsiderando a altura da base ao 1º galho) e o 3º na parte posterior da árvore a 1/3 da altura restante (desconsiderando a altura da base ao 2° galho) e, assim sucessivamente. Os galhos no caso das Coníferas deverão ter brotações próximas ao tronco, pois em caso contrário dificilmente irão brotar no futuro

d) A planta deverá ter um aspecto saudável, pois em caso contrário ao manipularmos raízes, poda de galhos, etc, ela poderá não sobreviver.

Lembrete: a paciência é uma virtude e a convivência com esta arte milenar nos ensina a esperar pelo momento certo para trabalhar com nossas plantas. Assim sendo, se a planta for adquirida em uma época não adequada a um transplante, por exemplo, não se precipite e espere a época correta, que é o início da Primavera, pois em caso contrário uma planta que tem um bom potencial poderá ser perdida.

2) Mudas de Viveiro - Pré - bonsai

Alguns viveiros comercializam pre-bonsai, que são mudas que já sofreram algum tipo de tratamento para iniciá-la como um bonsai. Esse tratamento normalmente consiste de 1 ou 2 podas de raízes, algum tipo de aramação e uma poda inicial para eliminar galhos indesejáveis. As considerações anteriores também se aplicam a estas mudas, sendo que dessa forma consegue-se chegar mais rapidamente a um bonsai.

3) Mudas coletadas na natureza (YAMADORI)

Muitas vezes esta é uma excelente opção de se conseguir materiais fantásticos para um bonsai. Cabe neste momento lembrar que esta é uma prática que é proibida em diversos locais, assim sendo procure se informar se no local de onde pretende retirar uma muda é permitido.

É interessante observar que não necessitamos ir muito longe para conseguir um bom material, pois às vezes no nosso próprio jardim existem diversas oportunidades. Devemos ficar atentos a casas onde serão construídos prédios, pois certamente o jardim será desfeito.

Material básico para um Yamadori :

O início da Primavera é a época ideal para a prática do Yamadori. Antes de sair de casa, deveremos deixar preparado um composto com boa drenagem (70% areia + 30% terra preta) e diferentes tamanhos de vasos ou recipientes, tipo peneira ou escorredor de macarrão para plantar a muda recém coletada.

A escolha da muda, sempre que possível deverá seguir as orientações acima, mas no caso do Yamadori, nem sempre se consegue tais condições e, assim sendo deveremos nos orientar no sentido de escolher preferencialmente pelo Nebari e tronco, sendo que a folhagem e galhos poderão ser desenvolvidos posteriormente. Feita a escolha da muda, deveremos cavar em um diâmetro de 3 a 4 vezes o diâmetro do tronco. A profundidade irá variar de acordo com as raízes que serão encontradas. As raízes mais grossas poderão ser cortadas com o auxílio da tesoura ou o serrote. Neste momento deveremos avaliar se a quantidade de raízes é suficiente para que a planta possa ser retirada do solo. Em caso contrário, deveremos preencher a vala formada com areia, fazer uma poda na parte aérea e esperar pelo menos 6 meses para retirar definitivamente a planta do solo.

No caso da muda ser retirada, fazemos uma poda na parte aérea e envolvemos as raízes no saco. As raízes deverão ser umedecidas para sua preservação durante o transporte até o replantio e, deveremos ter o máximo de cuidado com as raízes finas, pois são estas que irão manter a planta viva. As raízes grossas tem a função de ancorar a planta ao solo.

Após o plantio, deveremos deixá-la em local protegido por 30 dias, quando então poderemos levá-la gradativamente para o sol. Após este período poderemos iniciar uma adubação A planta deverá descansar por um período mínimo de 1 ano antes de começar o trabalho de educação, para se recuperar.